| A prancha ideal |
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Sem que vire uma explicação muito técnica vamos passar algumas noções teóricas sobre o início da vida de surfista e quais pranchas devemos escolher para começar a surfar e desmistificar algumas coisas que já viraram lugar comum entre os surfistas. Têm-se como verdade absoluta que quanto maior a prancha mais fácil de se aprender a ficar em pé. Tudo bem que seja assim até ficarmos em pé e descermos reto na espuma, o que pode até acontecer no primeiro dia, pois isso depende muito de cada um. Não existe critério de tempo para se ficar em pé. Depende da formação do mar onde vc está aprendendo, se ela facilita ou dificulta a aprendizagem, se está só ou acompanhado de um professor, e como foi dito antes depende também da prancha que se está usando. Ficando em pé, vamos querer botar no corte (surfar na parede da onda), mexer a prancha, fazer algum movimento, e é nessa hora que descobrimos que a prancha que compramos só serve mesmo para ir reto na espuma. Se estamos usando a prancha de uma escolinha, tudo bem, pois temos a possibilidade de ir trocando, testando alguns modelos disponíveis até nos identificarmos com alguma. É importante que vc converse com o professor à respeito disso e de qualquer outra dificuldade que tenha, mesmo até algum avanço próprio seu, pois muitas vezes o professor não consegue ver tudo de todos os alunos. Quando estiver com dificuldade, fale, mas quando tiver alguma melhora, fale também para que ele fique atento e trabalhe em cima dessa melhora. Vou dar um exemplo: imagine que vc se deu bem com um funboard, já na sua quarta aula, depois de ter usado o long com certa dificuldade nas três primeiras, sendo que o fun foi parar na sua mão por um critério simples de distribuição de pranchas antes de começar o treino dentro d'água. O professor precisa saber que vc se deu melhor com o funboard para que, enquanto vc está aprendendo os fundamentos do surf, ele mantenha essa prancha contigo até vc se firmar um pouco mais. O que quero dizer é que se houver uma troca de pranchas muito constante no início, o aluno vai demorar mais a aprender, pois ele terá que se adaptar a um tipo diferente de prancha à cada aula, atrasando seu aprendizado básico. É importante dizer que um surfista tem que ter experiência com vários tipos de pranchas para ser completo, porém nunca no início. Mesmo não querendo, os surfistas já sofrem com as constantes variações do mar, sendo necessário uma adaptação todo dia às condições que se apresentam, pois mesmo se estando no mesmo local do dia anterior dificilmente a formação das ondas será a mesma. Na maioria de nosso litoral, principalmente onde há uma areia muito fina, o fundo onde quebram as ondas sofre constante modificação alterando assim o modo que as ondas se formam e quebram em direção à praia. Então, se ficarmos trocando de equipamento toda hora, isso vai atrapalhar muito no início. Recomendamos para aqueles que querem começar a surfar que procurem uma escola de surf legalizada. O surf tem um aspecto problemático que é o seguinte: como é um esporte relativamente novo e até pouco tempo não existia sequer alguma didática de estudo, algo que se pudesse pegar pelo menos para ler à respeito, muitas pessoas que são apenas surfistas, que sabem como pegar ondas de todos os tipos, se propõem a passar todo tipo de informação e “ensinamentos” possíveis aos que têm menos ou nenhuma experiência. Desde a prancha ideal e até como fabricá-la e, agora com o boom das escolas de surf, também a ensinar a surfar. Já uma escola legalizada deve ter pessoas que fizeram cursos de instrutor e profissionais de educação física que gerem programas de desenvolvimento físico específicos para o surf. Trabalhos com a musculatura envolvida no esporte, trabalhos cardio-respiratórios, alongamentos para uma maior flexibilidade, e até como ajudar outra pessoa em dificuldade a sair do mar; esse para alunos com um pouco mais de experiência. Procure pessoas que estejam envolvidas no dia a dia com essas tarefas e não aquelas que, por oportunidade de fazer um dinheiro extra, se apresentam como “instrutores de surf”. Economizar nessa hora pode ser um verdadeiro desastre para sua saúde, pois quem não é legalizado normalmente cobra mais barato, já que não tem uma estrutura montada e por isso vai ter um custo muito menor na hora de exercer a atividade. Sendo despreparado para algum contratempo ou até mesmo algum acidente, será a sua integridade física que estará em jogo. Por isso não vale a pena economizar. Tome a coisa como séria e vc estará mais protegido sempre. Os conselhos de educação física estão se mobilizando para tornar cada vez mais profissionais os envolvidos com o esporte e assim fazendo que a segurança aumente e o aprendizado melhore cada vez mais. Voltando à prancha ideal: com relação à escola de surf vc terá a opção de testar alguns modelos e, à partir da identificação com alguns deles, converse com o professor para que ele mantenha esses equipamentos ao seu alcance nos seus horários de aula. À medida que vc desenvolva mais confiança, aí poderá testar outros sem que isso atrapalhe seu início. Se vc tem condições de ir à praia por conta própria e quer adquirir seu próprio equipamento para desenvolver mais rápido, a dica é a seguinte: depois de já ter identificado o modelo que te facilita, procure algum fabricante conhecido ou uma loja que tenha alguém com experiência em pranchas que possa te ajudar na compra. Nas lojas, em sua maioria, não encontramos quem entenda de pranchas, mas já existem aquelas que contratam pelo menos um vendedor que seja surfista há algum tempo e tenha uma noção. Infelizmente com o esquema de “vez”, onde cada vendedor tem a sua vez de atender o cliente, e a pressão de bater cotas de venda, nem sempre se é atendido pela pessoa ideal, principalmente no quesito pranchas de surf. Não estamos aqui condenando os métodos dos lojistas, e me perdoem os que são nossos amigos, mas às vezes nos perguntamos aqui se as pranchas não seriam vendidas com mais facilidade se houvesse uma pessoa na loja que tivesse um maior entendimento sobre o assunto e fosse acionada toda vez que um cliente procurasse pela prancha, já que todo mundo sabe hoje em dia, leigo ou não, que a prancha é individual. O que serve para um, não serve para o outro. Sabemos que já existe esse tipo de profissional em algumas lojas e também que esse assunto é uma questão de custos, pois manter alguém só para isso, dependendo de sua estrutura, talvez não seja muito fácil. Então vamos desmistificar, e dar algumas sugestões de como trabalhar o produto prancha de surf dentro de uma loja, querendo com isso não só informar as pessoas que estão iniciando no esporte e também àqueles que têm pretensão de começar um trabalho comercial nessa área. |
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